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Babel, O Filme

Na tentativa de explicar os diferentes idiomas existentes na humanidade, povos antigos atribuíram essa diversidade à torre de Babel – um mito que segundo o Antigo testamento, os descendentes de Noé construíram na Babilônia uma torre tão alta que pudesse alcançar o céu. Tal soberba provocou a ira de Deus que para puni-los, confundiu-lhes os idiomas e expandiu por toda a terra. No filme “Babel” de Alejandro González-Iñárritu, os personagens de Brad Pitt e Cate Blanchett lutam contra esse problema e tantas outras adversidades culturais quando uma lamentável intempérie acontece.

Susan e Richard estão viajando pelo Marrocos em um ônibus de turismo quando de repente um tiro é disparado contra Susan. Ninguém sabe de onde veio ou porque veio. Desesperado, Richard pede para que parem o ônibus; sua mulher sangra descontroladamente e ele teme perdê-la. Seguindo os conselhos do guia turístico eles a levam para uma pequena casa em uma vila no meio do deserto e esperam por socorro. Depois de muitos telefonemas, a embaixada estadunidense revela que não será possível a vinda de uma ambulância marroquina por suspeita de um ataque terrorista, somente um helicóptero direto dos EUA, e este iria demorar. Cedendo à situação desesperadora em que se encontravam, Richard entregou sua mulher nas mãos de um veterinário da região que esterilizou uma agulha com um isqueiro e costurou o ferimento para que sua esposa parasse de sangrar, senão iria morrer.

Perdidos no meio do nada, enfrentando as caras mal humoradas dos passageiros do ônibus (que não esperaram muito tempo e logo foram embora) com apenas uma pessoa que falasse inglês, foi possível a compreensão de um sentimento mútuo entre “gringos” e marroquinos. Através do olhar e energia, Susan teve força necessária para sobreviver cada minuto de dor e esperança, ainda que algumas vezes se demonstrasse arredia a qualquer estranho que a tocasse ou tentasse lhe ajudar.

Mas o filme não pára por aí, todo esse sofrimento é provocado por um “efeito dominó” que se mostra em um tempo não cronológico: um ex-caçador japonês deu sua arma a um marroquino, que a vendeu para um conhecido da região, que entregou aos seus filhos (ainda crianças), para estes matarem os chacais que costumavam comer suas cabras. Numa brincadeira de descobrir até quantos Km alcançava o disparo da arma, os garotos atiraram contra um ônibus de turismo que passava na estrada. Dias após, descobriram por boatos que tinham “matado” uma americana.

O ex-caçador tem uma filha surda-muda que sofre com a exclusão social em sua adolescência. O marroquino que comprou a arma tem filhos incestuosos e os filhos de Susan e Richard passam por maus bocados nas mãos da babá mexicana e residente ilegal nos EUA, Amelia, personagem de Adriana Barraza.

O enredo decorre pelo eixo sócio-cultural com ênfase em Marrocos, Estados Unidos e México. Questões como viver em um país ilegalmente, terrorismo e pré-conceito são o tempero desse Filme imperdível.

Essa trama nos faz pensar se não foram as diferentes línguas (as quais não sabemos ao certo suas origens) que distanciaram as mais distintas raças no mundo inteiro, ao mesmo tempo em que nos compreende o fato de independentemente disso, todos somos iguais. E na hora da precisão, do aperto, do desespero… O entendimento de algo abstrato é recíproco quando há laços invisíveis que nos une à uma única razão.


O último dia em Salvador

Deu no bocão que aquele dia, seria o último.

Um grupo de jovens (cerca de 150) se reuniu na frente do Shopping Iguatemi para realizar o último “arrastão” da nossa cidade. Armados com pedaços de pau, gritaram um sonoro “1,2,3 e…. já” e adentraram o local, ainda freqüentado pela parte ostensiva da cidade.

Não há como negar, o Iguatemi é dividido por “castas”, então, logo no primeiro piso as mães de classe média que costumam comprar o lanche das crianças nas americanas para “farofar” no cinema, saíram desesperadas com seus filhos nas mãos, e algumas no colo. Os rapazes que estavam comprando sapatos correram assustados da “Leão de ouro” e as donas de casa da “Insinuante” porque estas lojas estavam sendo destruídas pelos baderneiros que acreditavam veemente que o mundo estava acabando. Quanto ao terceiro e glamoroso último piso, os emos fumavam um cigarro e choravam angustiados enquanto ouviam em seus Ipod’s músicas do Nx Zero. Quanto aos outros, bem, cada um corria para o estacionamento em direção aos seus carros antes que aquele “vírus” pavoroso os alcançasse. Alguns curiosos se perguntavam “Meu Deus, o que está havendo?!” E os jovens do grupo avassalador gritavam “é o último dia da humanidade! O mundo vai acabar! Êêêêhhhhh!!”

No Shopping Salvador, quatro malucos demoliam com um machado a escada feita de vidro. Alguns jornalistas curiosos e que tinham a esperança de ter mais um dia para publicar tudo aquilo, perguntaram por que o desejo de pôr abaixo a escada, ao que lhes responderam “pra ver se é mesmo resistente.” Além das lojas sendo saqueadas e pessoas felizes ou não, gritando, tinha um grupo de velhas que se jogaram nos baldes de sorvete da sorveteria que havia na praça de alimentação. Os cães do pet shop se soltaram e alguns foram esmagados pelos pés desesperados das pessoas que tentavam sair do local.

Os que conseguiram se depararam com um pandemônio: ônibus pegando fogo, passarela aos destroços, fumaça em tudo quanto é lado, pessoas correndo, crianças melequentas e chorosas perdidas, e o templo satan… ops, e a Igreja Universal do Reino de Deus estava em chamas. Os pastores trataram de enfiar seus dólares no rabo e correr para pegar um avião, (mal sabiam eles que isso seria impossível, uma vez que um grupo de adolescentes se amarrou à turbina dos aviões para ter a sensação de estarem voando, ainda que próximo da terra). Os fiéis corriam atônitos berrando: “Meu senhor me perdoe! Eu não doei o meu dízimo hoje porque o mundo está acabando, me perdoe! me perdoe!”

Ativistas em prol dos animais abriram as jaulas do zoológico e anunciaram aos visitantes: “Salvem-se! Todos os animais estão soltos e o leão já comeu o braço de um homem lá atrás!” Assustados e sem entender muito bem o que havia acontecido, saíram às pressas do local e viram os alunos da UFBA dançando ao som de Ivete Sangalo e Claudia Leite em seu trio elétrico com faixas gigantescas escritas: “O Fim do mundo é agora, curta o carnaval de graça com os mais famosos ícones do axé na Bahia!”.

Na AV. Paralela, tirando o trânsito intenso, a novidade era o memorial Antonio Carlos Magalhães pegando fogo, pessoas correndo pela rua, o hiper mercado Extra sendo saqueado, barulho de explosões e uma menina galopando sem roupa, uma girafa, ao mesmo tempo em que berrava “Liberdadeee!!”.

O caos era completo na cidade inteira. Os jornais de plantão davam as mais doidas notícias, inclusive um macaco intitulado “macaco baloeiro” flutuando com balões pelos ares na região de Cajazeiras.

De repente, Casemiro Neto entra no ar e diz que tudo foi um erro. Que ele jamais deveria ter saído da TV Bahia, tamanho era o seu arrependimento. Disse também que o jornalismo de bocão era sujo e todas as pessoas eram burras de acreditar nele. Em seguida deu Adeus e todas as TV’s saíram do ar. As luzes do mundo se apagaram e as pessoas dormiram.

No dia seguinte, milagrosamente, ou infelizmente, todos os soteropolitanos acordaram. O acontecido ficou na história do jornalismo, teve Best-sellers e filmes em Hollywood, mas ficamos ridicularizados para sempre.

Fim.

A cena do crime

A menina que matou os pais; adaptado por Terena Cardoso

A noite estava fria, mesmo assim ela resolveu abrir a janela do carro, queria sentir o vento gélido em seu rosto e seu cabelo esvoaçar-se ao léu.

O sinal fechou e de súbito freou rapidamente. A moça estava com a cabeça flutuando, pensando no que estava prestes a acontecer. Em fim teria seu namorado e uma vida livre de infortúnios familiares.

Sinal verde. Seguiu com o carro até virar o próximo quarteirão. Estacionou, desligou a ignição e apagou os faróis. Assim que entrou em casa, ainda na parte de baixo deu para ouvir um pedaço da conversa de seus pais que estavam em cima, no quarto:

- Não sei o que deu nessa menina pra mentir assim pra nós! Custava ela dizer, ao menos nos dar uma boa, aliás, boa não, ÓTIMA justificativa pra ficar com aquele menino pra cima e pra baixo?!

- Concordo com você, mas estou um pouco cansado, preciso descansar… Apague essa luz, sim?

Fingiu não ter escutado nada, anunciou sua chegada apenas com um “Já voltei!” e foi direto para o quarto. O silêncio era tão grande que foi possível ouvir as batidas de seu coração enquanto subia as escadas.

A garota já não agüentava mais a pressão e desconfiança para com o namorado só porque ele era pobre. Ora, o que há demais namorar uma pessoa sem condições financeiras? Ele não é nenhum alienígena! Quanto mais tempo se passava, mais ela tinha a convicção de que precisava fazer aquilo, por mais cruel que pudesse parecer, sua felicidade estava em jogo. Pegou o celular e ligou para o namorado:

- Podem vir, eles já foram dormir.

Trocou a jaqueta, camiseta e Jeans por um short e um moletom confortável. Desceu as escadas quase correndo, foi à cozinha, tomou um copo d’água. Voltou à sala, sentou-se no sofá e ligou a TV. Estava passando um filme, entretanto, sua compenetração no que estava prestes a compactuar era tanta que nem saberia dizer o nome, muito menos a história. Entre todos os devaneios momentâneos, lembrou de seu irmão que acabara de sair com o cunhado. “Ele gosta tanto deles…” – pensou. Mas rapidamente esqueceu-se desse pequeno detalhe e pôr-se a imaginar seu futuro ao lado do único homem que poderia lhe fazer feliz.

A campainha tocou, em fim eles chegaram: o namorado e o irmão dele. Seu coração acelerou um pouco, mas manteve a discrição. Precisava ser fria e calculista, senão, tudo iria pelo ralo, inclusive sua tão sonhada felicidade. Ah! Seres humanos… Sempre a procura dessa tal felicidade…

- Iai, barra limpa mesmo?

- Limpa… Podem subir, por favor, sejam rápidos. Quero acabar com tudo o quanto antes.

- Certo, cadê as paradas?

O casal trocou um beijo caloroso. Em seguida, como se tudo fosse anteriormente ensaiado, ajudou os rapazes a vestir as meias calça e as luvas cirúrgicas surrupiadas de sua mãe, médica.

- Vamos! Vocês tão demorando demais daqui a pouco o Andreas da estourando aí!

- Relaxa, Sú! Teu irmão ta no ciber… A conversa deve tá tão boa que sem perceber, a galera vai garantir que ele só volte no tempo certo.

- Bora Mané… Deixa de lero, tá na hora já! – disse o cunhado

Suzane tratou de ficar embaixo e desarrumar a biblioteca e a sala. Quebrou uns móveis, arrombou umas gavetas, jogou uns papéis no chão, e o mais importante: Pôs toda a grana da casa em uma mochila, para que depois do acontecido, Daniel e Cristian levassem, e então tudo daria a entender perfeitamente como um roubo seguido de morte.

Com o barulho feito por Suzane, sua mãe acordou, mas, só teve tempo de dar um grito abafado por um travesseiro golpeado por uma barra de ferro; o mesmo acontecia com o seu marido, Manfred. Perderam a consciência depois de várias pancadas fortíssimas na cabeça levando-os a óbito.

Os irmãos desarrumaram o quarto, colocaram a arma próximo as mãos do assassinado como combinado e levaram algumas coisas de valor. Desceram as escadas e encontraram-se com uma Suzane ansiosa, mas não aflita. Ela parecia estranhamente sorridente, ainda que fosse um riso nervoso; louco.

- E aí, terminaram?

- Feito – Confirmou Daniel ainda meio atordoado.

Com a sensação de missão cumprida, despiram-se dos acessórios utilizados para a cena do crime e colocaram tudo numa mochila inclusive os objetos de valor da família Von Richthofen.

Cristian foi para casa levando tudo e deixaram Suzane e Daniel na porta de casa.

- Bem, agora a segunda parte – Disse ela

- É… vá lá, eu vou ficar aqui e fumar um cigarro.

- Tá doido? O que vou dizer quando chegarem? Meu irmão sabe que meus pais te odeiam

- Odiavam – Riu sarcasticamente Daniel

- Pára… Não quero que ria assim, eu os amava… Fiz isso por você, por nós!

- Foi mal.

- Vá embora. Quando meu irmão der o depoimento dele a polícia, sem querer pode citar que meus pais te odiavam e isso levantará suspeitas a seu respeito. Agente se ver mais tarde.

- Tudo bem, até.

- Até.

- Sú!

- Oi?

- Eu te amo

- Eu também, Dã, eu também…

Como tudo começou

Quando completei dez anos meu pai resolveu dar-me de presente um dos filhotes da Cocker Spaniel do vizinho que havia dado a luz a sete filhotes mestiços de Poodle, e foi assim que tudo começou.

Minha história com “Shakira”, nome dado a minha primeira cadelinha, durou pouco. Eu não tinha nenhuma responsabilidade para com suas necessidades a não ser na hora de brincar. Logo minha mãe tomou a triste providência de livrar-se da endiabrada comedora de chinelos. Fiquei triste e sentia um vazio por conta da perda de minha companheira… Esse vazio durou aproximadamente sete anos, tendo suas oscilações como se eu tentasse odiar cachorros por saber que outro jamais entraria em minha casa novamente. Quando não agüentei mais a minha solidão rotineira, secretamente, resolvi eu mesma comprar um cachorro.

Muito antes de começar a pesquisar qual melhor raça, decidi que não seria nem Poodle e nem Cocker, para evitar que minha mãe lembrasse da má educação de Shakira e também por isso, tratei de estudar ao máximo tudo sobre adestramento e obediência. Comprei revistas e as lia na frente de meus pais, intencionalmente para que meu desejo ficasse cada vez mais explícito.

Em minhas peregrinações na internet, descobri que a raça ideal para todos em meu lar doce lar, seria um Yorkishire. Não solta muito pêlo, não possui cheiro forte, é divertido, fofinho e blá blá blá… Pronto, decidido! Descendo um pouco mais a “barra de rolagem” é… Não, não tem nada decidido! Essa miniatura de cão custa em media 900,00! Sem chances.

Liguei para minha prima que mora no interior e ela sugeriu que fossemos a Santo Antonio de Jesus, pois lá há muitas casas de animais á venda e que não precisaria me preocupar com raça que com certeza encontraria um ideal. Sendo assim, controlei minha ansiedade até o fim do ano quando visitaria minha família em Nazaré das Farinhas.

Uma semana antes do natal, lá fui eu com 200,00 no bolso e louca de vontade de comprar o meu cachorrinho. O mundo conspirava ao meu favor e no mesmo dia em que cheguei meu avô e meu tio estavam indo a Santo Antonio comprar peças pra o carro. Aproveitei a oportunidade e fui com eles e minha prima. Ninguém sabia de nada, dissemos apenas que iríamos trazer uma “surpresa” e só. Bom, até o momento em que ultrapassamos os policiais na estrada, eu achava que o universo conspirava ao meu favor, exceto por um detalhe: minha menstruação deu o ar da graça, eu já sentia cólica.

Na primeira loja em que entramos, encontrei filhotes de Rotweiller. Confesso que fiquei tentada a tê-los, mas são grandes demais e com a fama de brigões, isso seria um problema. Além do mais, estavam custando 350,00. Em outra tinha filhotes de Pinchers tão pequenos que mais pareciam uns ratinhos. Não os queria porque apesar de serem bons companheiros, eu ainda os acho feinhos…

Pensei que minha prima conhecesse todas as lojas possíveis pra comprarmos o meu peludo, entretanto, estávamos indo em direção a terceira e última loja. Só Deus sabe o quanto pedi pra que minhas cólicas cessassem e eu pudesse seguir em frente.

A distancia entre as casas de animais eram um tanto grande, e como Sto. Antonio mais parece a AV. Sete daqui de Salvador, eu me sentia cada vez mais atordoada pelo barulho dos ambulantes e o tumulto de vai e vem de pessoas. Eu realmente precisava “dar um time”. Paramos numa farmácia e comprei uma caixa de Buscopan. Eu não sei porque comprei esse maldito remédio, uma vez que ele já não faz mais efeito em meu organismo de tanto que tomei em tempos passados. Apesar de estar mal, minha esperança de encontrar meu cachorro era tão grande que foi silenciosamente depositada no efeito do remédio, mas não efetiva. Continuei com ânsia de vômito, andar envergado, cara de enterro, e as pessoas já perguntavam a minha prima porque eu estava ali, e não em um hospital. Mesmo com todas as intempéries, segui adiante com ela a procura do meu cão.

Chegando lá eu já estava tão mal, mais tão mal, que encostei a cabeça no balcão e falei em tom de um quase desespero:

- Moço! Você tem um cachorro aí?!

A loja não era de animais, era de material de construção, mas quem tivesse cadelas em casa e estas recém-paridas, poderia avisar ao gerente que se alguém quisesse comprá-los ele fecharia o negócio. Uma espécie de trâmite só para conhecedores do local.

O homem estava atendendo a um cliente e quando viram a minha situação, ficaram me observando cerca de 1 min ao que minha prima interveio:

- Estamos procurando um cão pra comprar.

- Ah sim, pois não! Só um minuto – disse ele.

Ingrid (minha prima) puxou-me pelo braço e mandou que sentasse em um saco de cimento pra ver se aliviaria minhas dores. Eu não entendi o que o cimento e o fato de estar sentada em cima dele iria me ajudar, mas fazer o que?! Depois de uma meia hora de pura dor e agonia, o gerente veio até nós.

- Seguinte… Atualmente só temos uma oferta de uma senhora que vai embora daqui hoje. Ela está com um filhote de Poodle e não sabe se vai levá-lo, isso depende de como ela vai viajar, se for de caminhão ela não o levará e pretende vendê-lo, se for de carro, ele vai com ela. A senhora terá que esperar um pouco, mandei um rapaz ver a posição dela.

Um Poodle não estava nos meus planos, mas já que estava ali, não custava esperar pra ver ao menos como era o dito cujo de quatro patas.

Dez minutos se passaram e nada do Cão. Eu estava já em estado deplorável, suando frio, e gemendo a ponto de chamar atenção dos clientes.

- Toma, uma cadeira pra senhorita – ofereceu-me o gerente.

- Obrigado. – disse eu

Logo depois disso ele veio a minha prima e falou que a dona do cachorro havia se apegado a ele e iria levá-lo de qualquer jeito. “Que droga!” eu pensei. Comecei a achar que era a energia de minha mãe atuando inconscientemente. Já estava pirada por conta da minha TPM mesmo, revolvi ir embora, porém, nesse momento chegou o Office Boy da loja e pegou parte de nossa conversa. Meio sem graça por nos interromper, ele disse que sua vizinha estava com uma Poodle com filhotes desmamados e que iria vendê-los. “Pocha, nessa cidade só tem Poodles!” pensei.

Eu já não estava com a mínima vontade de ficar ali esperando e disse logo que não queria e que iria embora. Mas parece que Ingrid estava com mais vontade de comprar o cachorro do que eu. Afirmou categoricamente que eu iria sentar e esperar, com dor ou sem dor, que ela não costumava perder tempo e deixar o que pode se fazer hoje pra amanhã, e mandou o rapaz ir buscar um dos filhotes. Eu só tive tempo de gritar: – Traga uma fêmea! – haja vista a rapidez com que desapereceu.

Cerca de quarenta minutos depois:

- Véi! Eu não agüento mais! To quase morrendo aqui… Vou embora!

- Nada disso! Pode sentar aí, ele já deve estar chegando! E se você está sentindo dores, pense que são as dores do parto.

É mole? Eu estava aborrecida, inquieta, sentindo dores horríveis, sangrando pelo meio das pernas que nem uma condenada e ainda aturando as piadinhas de minha prima! Definitivamente Deus não teve dó de mim nesse “parto”!

Na cadeira e agachada com a cabeça enfiada no meio das pernas, eu só conseguia pensar em desgraça. Que não deveria ter ido comprar cão nenhum, que minha mãe iria dar um fim nele como deu em Shakira, que eu não teria capacidade de cuidar dela, ainda mais sendo um Poodle, a raça com fama de roedor e tirados a pequenos valentões, e depois tinha as contas de vacina, veterinário, pet shop… Minha mãe não iria me ajudar, ninguém ia! Eu não tinha trabalho, não tinha ninguém! era sozinha no mundo!

- Eu quero ir emboooooooraaaaaaaaaaaa! – Chorei

- Calma Tekaaa – Ela berrou

- Calma moça – Disse o Gerente

- Cheguei! Desculpa a demora! – O Office Boy chegou afinal

- AAAEEE!! – Ela comemorou

- Até que enfim, Senhor! – Eu agradeci.

Sinceramente, eu nem olhei pra cara do cachorro. Eu perguntei “Quanto é?” e ele disse que era 150,00, mas como eu havia esperado de uma forma tão, digamos, comovente e intensa, ele cobraria 120,00. Agradeci, paguei, e só depois vi a bolinha marrom que estava nas mãos de Ingrid. Eu me aproximei devagar, e pus minhas mãos em seu focinho pra ela cheirar. A cadelinha estava com uma cara de sono e desatenta, nem olhou pra mim. Depois descobrir que os filhotes não olham nos olhos dos humanos sem que haja incentivo para isso de nossa parte. Eu a ergui e um raio de sol iluminou os seus olhos, na época, verdes.

- Deus do céu, como você é linda! – Constatei.

- Sim, sim! Vamos embora, vovô já ligou trezentas vezes pro meu celular

- E você não atendeu?

- Não! E nem poderia, você estava parindo, Teka.

- Idiota.

Ingrid com a bolinha de pêlos marrons que hoje atende por Belinha, embaixo do braço e eu atrás quase vomitando, seguindo em direção ao estacionamento se encontrar com meu avô e meu tio. Chegando lá vovô já estava a postos na frente e foi logo perguntando:

- Mas que demora foi essa?!

- Estávamos comprando isso – Ingrid ergueu Belinha

- Sua mãe vai lhe matar, menina!

- A minha não! A de Terena! – A miserável riu impiedosamente

- Minha nossa senhora! Pior ainda! – disse meu avô – Você enlouqueceu?

- Eu…? Não… – Vomitei.

- O que ela tem? Meu Deus! Levante! Você ta bem? O que ela tem Ingrid? – desesperou-se meu avô

- Cólica. Vamos embora, em casa ela toma remédio.

Apoiada nos braços dele fui andando devagarzinho em direção ao carro ouvindo um “bla bla bla” que meses depois foi bastante repetido, mas hoje, totalmente esquecido.

Uma tentativa de assassinato! (versão brasileira, Hebert Richards)

Sinceramente, eu não sei porque edito e divulgo essas coisas!

rs

Overdose Legião Urbana Mode_On

Todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo, temos todo o tempo do mundo. Por isso Eduardo e Mônica se encontraram sem querer e conversaram durante muito tempo pra tentar se conhecer, foi quando eu cheguei e do nada disse: “véi, quem me dera ao menos uma vez explicar o que ninguém consegue entender: que o que aconteceu ainda está por vir, e o futuro não é mais como era antigamente.”

Eduardo ainda estava no esquema “escola, clube, cinema, televisão” entretanto, nos surpreendeu dizendo que nas favelas e no senado há sujeira pra todo o lado e que ninguém respeita mais a constituição mas todos acreditam no futuro da nação; ao que Mônica expressou- “Putz, que País é esse?” e eu respondi que era a porra do Brasil.

Por isso acontecem tantas fatalidades, como a história da menina das estátuas, cofres e paredes pintadas e que ninguém soube o que aconteceu… O fato é que ela se jogou da janela do quinto andar, nada muito difícil de entender.

Se ela fosse amada como se não houvesse amanhã, não haveria necessidade de parar pra pensar que na verdade não há. Ou será só imaginação? Será que nada vai acontecer e ficaremos acordados imaginando alguma solução?